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Mostrando postagens de 2025

A Palavra em Diálogo: Diferentes Visões da Linguística e Literatura

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A  definição de palavra pode parecer simples, mas para os grandes pensadores da linguística e da literatura, ela é um conceito muito mais complexo e rico. Para o linguista suíço Ferdinand de Saussure , a palavra é, fundamentalmente, um signo linguístico, composto por duas partes inseparáveis: o significante e o significado. O significante é a imagem sonora da palavra (como a pronunciação de "árvore"), e o significado é o conceito que essa imagem evoca em nossa mente (a ideia de uma planta grande e lenhosa). Para Saussure, a relação entre esses dois é arbitrária, ou seja, não há uma razão natural para que o som "árvore" represente a ideia de árvore. Essa definição, que é a base do estruturalismo, enxerga a palavra como um elemento de um sistema. No entanto, para o pensador russo Mikhail Bakhtin , essa visão de Saussure era incompleta. Bakhtin argumenta que a palavra não é apenas um signo estático em um sistema. Ela é um organismo vivo, uma arena de luta e diálogo. P...

O Signo Ideológico: A Linguagem em Luta por Sentido

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Para Mikhail Bakhtin e seu colega Valentin Voloshinov , a linguagem não é um sistema neutro e objetivo de comunicação. Eles a concebem como um signo ideológico , um campo de batalha onde as ideias e os valores de diferentes grupos sociais se chocam e disputam. Em vez de ser apenas um meio para expressar uma realidade já pronta, a linguagem é o que Bakhtin chama de uma "arena de luta de classes" . Isso significa que cada palavra, cada frase, carrega consigo a marca de sua história e dos interesses de quem a usa. O sentido não é algo fixo; ele está em constante movimento, sendo moldado e remoldado pelas tensões sociais. Um exemplo simples ajuda a entender: a palavra “progresso” . Para um grupo, ela pode significar avanço científico e tecnológico, enquanto para outro, pode representar a destruição ambiental e a exploração. A mesma palavra, o mesmo signo, é preenchido com significados diferentes e até opostos. A linguagem, portanto, é um reflexo das contradições sociais e serve ...

A Enunciação em Bakhtin: A Linguagem como Ato Social

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Para o pensador russo Mikhail Bakhtin , a linguagem está longe de ser um sistema abstrato de regras ou um simples dicionário de palavras. Em sua visão, a linguagem só ganha vida no momento em que é usada por alguém para interagir com o mundo, em um processo que ele chama de enunciação . A enunciação não é apenas o ato de falar ou escrever; é o evento completo e concreto em que uma pessoa, em um determinado tempo e lugar, com uma intenção específica, produz um enunciado. Esse ato não pode ser entendido de forma isolada, pois sempre pressupõe um ouvinte, uma situação e a história das palavras que estão sendo usadas. Bakhtin critica a visão de que a enunciação seria apenas a manifestação da vontade individual de um falante. Para ele, toda enunciação é um ato social, um elo em uma vasta cadeia de comunicação. Quando falamos, não estamos simplesmente tirando palavras de nossa mente. Estamos, na verdade, respondendo a algo que foi dito antes ou antecipando a resposta de um outro. É por isso ...

A Crítica do Subjetivismo Individualista de Bakhtin

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No trabalho de Mikhail Bakhtin , a crítica ao que ele chama de subjetivismo individualista é um ponto fundamental. Esse conceito se refere a uma visão de linguagem e de ser humano que prevaleceu em muitas teorias filosóficas e linguísticas, especialmente as que valorizavam a consciência e a fala de um indivíduo como a única fonte de significado. Em essência, o subjetivismo individualista pressupõe que a linguagem é uma ferramenta neutra, que cada pessoa pega e usa para expressar seus pensamentos mais íntimos, como se esses pensamentos existissem em um vácuo, separados do mundo social e da interação com os outros. Para Bakhtin, essa visão é problemática e incompleta, pois ignora completamente o fato de que a linguagem é, por natureza, um fenômeno social. Ele argumenta que nossa fala nunca é puramente nossa. Pelo contrário, ela é sempre impregnada de vozes, palavras e discursos de outras pessoas com quem interagimos. O que dizemos é um eco, uma resposta, uma continuação ou até mesmo uma...

Delícia ou Delicia? Qual a Forma Correta

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É muito comum a gente se deparar com palavras parecidas na língua portuguesa e ficar na dúvida sobre qual usar, não é? O par delícia e delicia é um desses casos! A boa notícia é que, apesar de a grafia ser quase igual, a diferença entre elas é bem simples de entender. Delícia: O que te dá prazer! A palavra delícia (com acento agudo no "i") é um substantivo. Ela é usada para descrever algo que causa prazer, seja um sabor delicioso, uma sensação boa ou uma experiência agradável. É como se fosse a "coisa" em si que te deixa feliz. Use delícia quando: - Você quer falar de algo gostoso: "Esse bolo de chocolate é uma delícia !" - Você quer descrever uma situação ou sentimento: "O pôr do sol na praia é uma verdadeira delícia ." - Você quer falar de um prazer de forma geral: "A vida tem muitas delícias para serem aproveitadas." Perceba que, por ser um substantivo, ela sempre vai estar ligada a um artigo (a, o, as, os) ou a uma quantidade, como...

Semifinal, semi final ou semi-final? Qual a Forma Correta

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Você já se pegou na dúvida se a forma certa de escrever é semi-final, semi final ou semifinal? Se sim, pode relaxar, porque essa é uma confusão supercomum na língua portuguesa! A boa notícia é que, com uma dica simples, você nunca mais vai errar. A forma correta, segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico, é semifinal , tudo junto e sem hífen. Por que "semifinal" se escreve junto? A palavra "semifinal" é formada pela união do prefixo semi- com a palavra final. O prefixo semi- significa metade ou quase. Quando usado para formar palavras, ele geralmente se junta à palavra seguinte sem a necessidade de um hífen. A regra é clara: usamos o hífen com o prefixo semi- apenas em três situações: Quando a próxima palavra começar com h. Exemplo: semi-harmônico. Quando a próxima palavra começar com i. Exemplo: semi-inconsciente. Quando a próxima palavra começar com r. Exemplo: semi-reta. Quando a próxima palavra começar com s. Exemplo: semi-seco. Como a palavra final começa co...

A Escrita como Origem: o conceito de Arquirrastro em Essa estranha instituição chamada literatura

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O termo "Arquirrastro" (ou "arquiescritura") em Jacques Derrida pode soar um pouco grandioso, mas vou te explicar de um jeito simples ou pelo menos tentar, como se fosse sobre as "impressões digitais" do mundo! Pense que tudo no mundo, desde uma pedra até um pensamento, deixa uma espécie de marca ou sinal. Assim: quando você anda na areia, deixa uma pegada. Essa pegada é um rastro, uma marca de que você esteve ali. Quando você escreve uma carta, as palavras no papel são marcas que transmitem uma mensagem. Para Derrida, o "Arquirrastro" é a ideia mais fundamental e básica de que TUDO deixa uma marca ou um sinal. Não é só a escrita com letras que conhecemos, nem só uma pegada na areia. É um conceito muito mais amplo. É como se, antes mesmo de existir uma palavra, um desenho ou qualquer coisa que chamamos de "escrita" ou "comunicação", já existisse essa capacidade de as coisas deixarem uma impressão, um traço. Pense nas caracte...

Literatura e o tempo fora do tempo: o conceito de anacronia em Derrida

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O termo "anacronia" pode parecer um pouco complicado, mas vou explicar de um jeito bem simples, como se fosse sobre um superpoder das histórias e até das pessoas.  Pense assim: "anacronia" é quando algo está "fora do seu tempo" ou "fora de época", mas de um jeito especial, que faz com que ainda funcione ou faça sentido. Sabe quando você assiste a um filme ou lê uma história que foi criada há muito tempo, tipo a peça "Romeu e Julieta" , que William Shakespeare escreveu lá no século XVI? Mesmo sendo tão antiga, você ainda consegue entender a história de amor deles, se emocionar com o que acontece e até pode ver versões modernas, em que eles usam celulares ou vivem em outros lugares do mundo (como adaptações japonesas ou chinesas!). Para Jacques Derrida , a anacronia é como a "magia" que permite que isso aconteça. Ele diz que uma obra literária, mesmo estando "condicionada por sua história", pode ser lida e "tran...

Conceito: À-Venir de Jacques Derrida

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O termo "à-venir" parece um pouco complicado, mas vou explicar de um jeito que você vai entender facilmente, como se fosse uma ideia legal que Jacques Derrida teve! Sabe quando a gente fala "futuro"? Geralmente, pensamos no amanhã, nas férias que já estão marcadas ou no que vamos fazer depois da escola. É algo que já está mais ou menos planejado, certo?  Pois bem, Jacques Derrida pegou a palavra "futuro" (que em francês é avenir ) e deu a ela um sentido muito especial e diferente. Ele escreve como "à-venir". Imagine que o futuro normal é como um roteiro de um filme que já está pronto. Você sabe o que vai acontecer. O "à-venir" de Derrida é como se fosse um filme que ainda está sendo escrito, e ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. Ele é: 1. Aberto e Cheio de Surpresas: Não é algo que já está decidido ou pré-programado. Pense em um presente que você vai ganhar: o futuro normal seria saber exatamente o que é, mas o "à-venir...

New Criticism ou Nova Crítica

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O New Criticism , ou "Nova Crítica" , foi um movimento literário que dominou a academia nos Estados Unidos, principalmente entre as décadas de 1940 e 1960. Pense nele como o primo americano do Formalismo Russo , com uma filosofia semelhante: o texto é a coisa mais importante. Se você quisesse entender um poema, um conto ou uma novela, a Nova Crítica te diria para ignorar a biografia do autor, o contexto histórico em que a obra foi escrita e até mesmo a intenção do escritor. A ideia era tratar a obra literária como um objeto autônomo, um artefato por si só, que só poderia ser entendido a partir de seus próprios elementos internos. Essa abordagem se desenvolveu em torno de conceitos-chave. A principal ideia era o close reading , ou "leitura atenta". Os críticos formalistas se dedicavam a uma análise minuciosa do texto, examinando cada palavra, cada metáfora, a estrutura e a sonoridade da obra. Eles buscavam identificar como todos esses elementos trabalhavam juntos par...

O Formalismo Russo: O que importa é a Obra

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O Formalismo Russo foi um movimento intelectual vibrante que explodiu na cena literária e linguística da Rússia, lá pelo início do século XX. Imagine um grupo de acadêmicos e críticos, cansados da forma como a literatura era analisada. Naquela época, a crítica se perdia em discussões sobre a biografia do autor, o contexto histórico ou as mensagens morais dos textos. Eles queriam mudar isso, e foi aí que o Formalismo nasceu, com um lema simples e revolucionário: o que importa é a obra em si. Para os formalistas, o foco não era o que o texto dizia, mas como ele dizia. Eles buscavam uma abordagem científica para a literatura, dissecando os textos para entender seus mecanismos internos. Eles defendiam que a literatura tinha suas próprias regras e particularidades. O principal conceito que desenvolveram foi o de estranhamento , ou ostranenie . A ideia é que a arte, especialmente a literária, nos faz ver o mundo de uma forma nova, quebrando a automatização da nossa percepção. Um escritor nã...

Carl Jung: A Jornada de um Pioneiro da Psique

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Carl Gustav Jung (1875–1961) foi um psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Sua abordagem revolucionária da mente humana e suas ideias sobre o inconsciente coletivo, arquétipos e individuação moldaram profundamente o campo da psicologia, filosofia e até mesmo a arte e a literatura. O Início de uma Mente Brilhante Nascido em Kesswil, Suíça, Jung cresceu em um ambiente marcado pela religião e pela espiritualidade. Seu pai era pastor protestante e sua família materna tinha uma tradição de misticismo. Desde cedo, Jung demonstrou uma grande sensibilidade e interesse por temas que iam além do mundo material. Ele estudou medicina na Universidade de Basel e, posteriormente, especializou-se em psiquiatria. Seu trabalho na clínica psiquiátrica de Burghölzli em Zurique o expôs a pacientes com distúrbios psicóticos, o que o levou a desenvolver um método de associação de palavras para explorar o inconsciente. A Parceria e a Ruptura com Freud O ponto de virada na vida...

Essa estranha instituição chamada literatura de Jacques Derrida (Resumo)

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Jacques Derrida (1930-2004) foi um pensador muito importante e influente do século XX, conhecido por suas ideias que transformaram a maneira como pensamos sobre a ciência, a arte e a filosofia. Ele escreveu sobre muitos tópicos, e um dos mais fascinantes é a literatura. Para Derrida, a literatura é uma estranha instituição por várias razões: Não tem uma essência fixa Ao contrário do que se possa pensar, a literatura não tem uma natureza ou função definida de antemão. Não existe algo que seja "literário em si". O que reconhecemos como literatura vem de convenções e intenções que mudam com o tempo, tanto de quem escreve quanto de quem lê. É como se a "essência" da literatura fosse justamente não ter essência alguma. O poder de "dizer tudo" A literatura, em sua forma moderna (a partir do século XVIII), recebeu uma espécie de "licença" para dizer tudo o que se queira ou possa, sem sofrer censura religiosa ou política. Isso significa tanto a possibil...

O que é o "Objetivismo Abstrato" para Bakhtin?

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Que título fantástico, não é mesmo? A gente já imagina uma coisa meio fora da curva. Mas, atenção: é aqui que a gente precisa desfazer um mal-entendido comum. O termo "Objetivismo Abstrato" não foi criado por Bakhtin como uma teoria sua, mas sim como uma crítica a uma forma de pensar a linguagem que ele considerava incompleta. Para Mikhail Bakhtin , pensador russo incrível e figura central nos estudos da linguagem e da literatura, o Objetivismo Abstrato é uma visão de mundo, principalmente da linguística e da filosofia da linguagem, que ele critica duramente. Ele descreve essa perspectiva como aquela que enxerga a língua como um sistema de regras estáveis, imutáveis e abstratas. Ou seja, a língua seria um conjunto de normas gramaticais, fonológicas e sintáticas que existem por si só, pairando acima da vida social e dos falantes. É como se a língua fosse uma espécie de "código" pronto, que os indivíduos apenas usam para se comunicar, mas sem poder realmente transfor...

O que é a Virada Ética?

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A Virada Ética , também conhecida como a "guinada ética" ou "virada de linguagem para a ética", é uma abordagem filosófica e teórica que começou a ganhar força no século XX. De forma simples, ela propõe uma mudança radical no campo da filosofia e das humanidades: em vez de focar apenas na razão, na lógica e na metafísica (perguntas como "o que é a realidade?"), ela passa a dar uma atenção especial à ética, à moral e à responsabilidade que temos uns com os outros. Imagine que, por muito tempo, a filosofia se preocupou em entender o "ser" (a existência em si) . A Virada Ética diz: "Espera aí! Antes de tudo, precisamos pensar no nosso 'agir'. Como nos relacionamos com o outro? Qual é a nossa responsabilidade?" Ela não nega a razão, mas a coloca em um novo contexto, sublinhando que nosso conhecimento e nossas ações não podem ser neutros. Eles sempre têm implicações éticas. História e Pensadores Chave A Virada Ética não foi um movim...

O que é a Teoria Queer?

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A Teoria Queer é como um óculos novo que nos faz questionar as coisas que a gente sempre aceitou sem pensar muito. Ela surgiu nos anos 90 e, em vez de ver a sexualidade e o gênero como algo fixo e binário (tipo, só homem e mulher, ou hétero e gay), ela explora como essas identidades são construídas e representadas. A palavra "queer" em inglês significa "estranho" ou "excêntrico", e era usada como xingamento contra pessoas LGBTQIAPN+ . O movimento queer resgatou esse termo para dar a ele um novo sentido, transformando um insulto em um símbolo de resistência e orgulho. A Teoria Queer não busca apenas entender o que é ser gay, lésbica ou trans, mas também critica a própria ideia de que a heterossexualidade é a única forma "natural" de ser. Ela questiona as normas sociais que definem o que é "normal" e o que é "desviante". A História e os Pensadores Chave A Teoria Queer não surgiu do nada; ela foi impulsionada por pensadores de v...

A Psicanálise: Decifrando a Mente Humana na Literatura

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A Psicanálise é uma teoria e um método terapêutico que explora o papel do inconsciente na formação da personalidade e do comportamento humano. Quando aplicada à literatura e à linguística, a psicanálise se torna uma ferramenta poderosa para analisar não apenas os personagens e as tramas, mas também as motivações ocultas, os desejos reprimidos e os conflitos psicológicos que se manifestam nos textos. O Que É a Psicanálise na Crítica Literária? A crítica psicanalítica parte do pressuposto de que a literatura é uma manifestação da psique humana. Assim como os sonhos, a arte e a linguagem são formas simbólicas de expressar os conteúdos do inconsciente. O crítico psicanalítico busca, portanto, decifrar os símbolos e os lapsos do texto para revelar os traumas, as fantasias e as neuroses do autor, dos personagens e, em alguns casos, até mesmo do próprio leitor. A psicanálise na literatura se interessa por: Inconsciente e Simbolismo: Como os sonhos, os lapsos verbais e os atos falhos dos pers...

Pós-humano: Desafiando os Limites do que é Ser Humano

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O conceito de pós-humano é um campo de estudo que explora as possibilidades de superar ou transcender as limitações biológicas, cognitivas e sociais do ser humano, como o conhecemos hoje. No âmbito da linguística e da literatura, o pós-humano se torna uma lente crítica que questiona o antropocentrismo – a visão de mundo centrada no ser humano – e explora o que acontece com a linguagem, a narrativa e a identidade quando a distinção entre humano e não-humano se torna fluida. O Que É o Pós-humano? O pós-humano não se refere apenas a robôs ou ciborgues da ficção científica, mas a um conjunto mais amplo de ideias que questiona o que define nossa humanidade. Em contraste com o humanismo, que coloca o ser humano no centro de toda a moralidade e do conhecimento, o pós-humanismo argumenta que essa posição é insustentável e muitas vezes leva à opressão de outras formas de vida e de seres. Na crítica literária e linguística, a abordagem pós-humana se manifesta em questões como: Novas Subjetivida...

O Novo Historicismo: Lendo a Literatura e a História de Mãos Dadas

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O Novo Historicismo é uma abordagem crítica que surgiu na década de 1980 e revolucionou a maneira como os estudiosos da literatura e da história interagem. Em sua essência, ele rejeita a ideia de que um texto literário é um objeto autônomo, separado de seu tempo, e, em vez disso, propõe que a literatura e o contexto histórico são inseparáveis e se influenciam mutuamente de forma complexa. O Que É o Novo Historicismo? O Novo Historicismo é uma reação a abordagens anteriores, como a Nova Crítica , que se concentravam exclusivamente no texto. Ele argumenta que não podemos entender uma obra literária sem entender a cultura da qual ela emergiu. No entanto, ele também vai além do historicismo tradicional, que via a história como um pano de fundo fixo e neutro. O Novo Historicismo defende que: O Texto e o Contexto são Inseparáveis: A literatura não apenas reflete a história, mas também a produz. Um romance pode influenciar as ideias de uma época, enquanto as ideias de uma época influenciam ...

Narratologia: Decifrando os Códigos das Histórias

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A Narratologia é a teoria e o estudo da narrativa e da estrutura narrativa. É um campo que busca responder a uma pergunta simples, mas profunda: como as histórias funcionam? Longe de ser apenas uma análise de enredo, a narratologia se debruça sobre os elementos que compõem uma narrativa, desvendando seus mecanismos e revelando como eles moldam nossa experiência como leitores. O Que É Narratologia? A narratologia estuda a "gramática" da narrativa, ou seja, as regras e os componentes que tornam uma história possível. Ela se concentra no que é dito e em como é dito. Em vez de focar no conteúdo específico (o que acontece na história), ela se interessa pelas estruturas que o organizam. Seus principais conceitos incluem: Fábula vs. Enredo: A fábula é a sequência cronológica dos eventos da história, na ordem em que eles realmente aconteceram. O enredo é a forma como esses eventos são apresentados na narrativa, que pode ser não-linear, com flashbacks, saltos temporais etc. Voz Narr...

Louis Althusser: O Filósofo que Repensou o Marxismo

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Louis Althusser (1918-1990) foi um filósofo francês cujas ideias transformaram a teoria marxista no século XX. Sua obra, que combinou o rigor estruturalista com o pensamento de Karl Marx , desafiou as interpretações tradicionais do marxismo e introduziu conceitos cruciais que continuam a influenciar a filosofia, a teoria política e os estudos culturais. No entanto, sua vida pessoal foi marcada por uma tragédia que, para muitos, lançou uma sombra sobre seu legado intelectual. Infância, Formação e o Início da Jornada Intelectual Louis Pierre Althusser nasceu em Birmandréis, na Argélia francesa, em 16 de outubro de 1918. Ele cresceu em um ambiente conservador e religioso, e sua juventude foi profundamente afetada pela Segunda Guerra Mundial . Althusser serviu no exército francês e foi capturado e feito prisioneiro de guerra por cinco anos em um campo na Alemanha. A experiência do cativeiro, com sua privação e desumanização, o marcou profundamente e contribuiu para os problemas de saúde me...

Georg Lukács: O Filósofo que Uniu Marxismo e Teoria da Arte

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Georg Lukács (1885-1971) foi um filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro, cuja vida e obra foram uma complexa jornada intelectual e política. Ele é uma figura central do marxismo ocidental, famoso por sua capacidade de conectar a filosofia de Marx com a estética, a literatura e a sociologia. A sua busca por uma análise marxista rigorosa e a sua defesa apaixonada do realismo na arte o tornaram um dos pensadores mais importantes do século XX, influenciando gerações de críticos e teóricos. Infância, Formação e o Caminho para o Marxismo György Bernát Lukács nasceu em Budapeste, em 13 de abril de 1885, em uma família rica e influente. Sua juventude foi marcada por um interesse precoce pela filosofia e pela estética. Ele estudou em Budapeste, Berlim e Heidelberg, onde foi um aluno brilhante e fez parte de círculos intelectuais que incluíam figuras como Max Weber e Georg Simmel . Suas primeiras obras, como "A Alma e a Forma" (1911) e "Teoria do Romance" (1...