Quem foi o filósofo grego Aristóteles?
Aristóteles foi um dos pensadores mais influentes da história. Nascido em 384 a.C., na cidade de Estagira, dedicou-se ao estudo da lógica, da ética, da política, da natureza, da linguagem, da poesia, dos animais e das formas de conhecimento. Sua obra atravessou mais de dois milênios e participou da formação da filosofia, das ciências e da educação no mundo ocidental.
Sua trajetória foi marcada por deslocamentos, perdas familiares, formação rigorosa na Academia de Platão, atuação como professor e criação de uma escola própria em Atenas. Aristóteles não se limitou a repetir as ideias de seus mestres: desenvolveu um sistema de investigação baseado na observação, na classificação e na busca pelas causas dos fenômenos.
Quem foi Aristóteles?
Aristóteles foi um filósofo grego da Antiguidade, nascido em Estagira, cidade localizada na região da Macedônia. Viveu entre 384 a.C. e 322 a.C..
Ele investigou uma quantidade extraordinária de temas. Seus estudos abrangem:
- lógica e argumentação;
- ética e formação do caráter;
- política e organização das cidades;
- metafísica e estudo do ser;
- física e transformação da natureza;
- biologia e classificação dos animais;
- psicologia antiga e estudo da alma;
- retórica e persuasão;
- poética, tragédia e criação artística.
A variedade de assuntos explica por que Aristóteles é frequentemente descrito como filósofo, cientista, professor e pensador enciclopédico.
Sua importância não decorre apenas das respostas que apresentou. Ele também aperfeiçoou maneiras de formular perguntas, reunir evidências, distinguir conceitos e organizar racionalmente uma investigação.
Nascimento e origem familiar
Aristóteles nasceu em 384 a.C., em Estagira, uma cidade grega situada na península da Calcídica, ao norte do território que hoje pertence à Grécia.
Seu pai chamava-se Nicômaco e exercia a medicina ligada à corte do rei Amintas III da Macedônia. A tradição familiar relacionada à medicina provavelmente aproximou o jovem Aristóteles da observação dos organismos vivos e do funcionamento da natureza.
Sua mãe é geralmente identificada como Féstias, pertencente a uma família associada à ilha de Eubeia.
Aristóteles perdeu os pais ainda jovem. As informações sobre essa fase são incompletas, mas fontes antigas indicam que sua educação ficou sob a responsabilidade de um tutor chamado Próxeno.
Nascimento: 384 a.C.
Local: Estagira, na região da Macedônia
Pai: Nicômaco, ligado à medicina da corte
Como foi a educação de Aristóteles?
Por volta dos dezessete anos, Aristóteles deixou sua região de origem e foi para Atenas, um dos maiores centros culturais e intelectuais do mundo grego.
Na cidade, ingressou na Academia de Platão. A instituição não correspondia a uma universidade moderna com diplomas, séries e currículos padronizados. Era uma comunidade de investigação, ensino e debate filosófico.
Aristóteles permaneceu ligado à Academia por aproximadamente vinte anos. Durante esse período, estudou e discutiu assuntos como:
- filosofia;
- matemática;
- astronomia;
- política;
- linguagem;
- natureza e conhecimento.
Sua escolaridade, portanto, não pode ser medida pelos padrões atuais. Ele recebeu uma formação avançada dentro de uma das instituições intelectuais mais importantes da Antiguidade.
A relação entre Aristóteles e Platão
Platão foi uma figura decisiva na formação de Aristóteles. No entanto, o discípulo não se tornou apenas um repetidor das ideias do mestre.
Platão atribuía grande importância às realidades inteligíveis e às formas que permitiriam compreender aquilo que percebemos no mundo. Aristóteles, embora também procurasse princípios universais, aproximou sua investigação dos seres concretos, de suas propriedades e de suas transformações.
Essa diferença não deve ser reduzida à ideia simplista de que Platão olhava apenas para o céu e Aristóteles apenas para a terra. Ambos refletiram sobre conhecimento, política, ética e realidade, mas organizaram suas respostas de maneiras distintas.
Aristóteles aprendeu com Platão, criticou algumas de suas propostas e desenvolveu um caminho filosófico próprio.
Por que Aristóteles deixou Atenas?
Platão morreu por volta de 348 ou 347 a.C.. Depois disso, Aristóteles deixou Atenas.
Não existe uma explicação única e totalmente comprovada para sua partida. A mudança pode ter envolvido a nova direção da Academia, seus próprios interesses intelectuais e o ambiente político ateniense, que mantinha uma relação tensa com a Macedônia.
Aristóteles dirigiu-se a Assos, na Ásia Menor, onde se reuniu a um círculo de estudiosos ligado a Hérmias, governante da região.
Essa etapa ampliou seus contatos intelectuais e lhe proporcionou novas oportunidades de pesquisa e ensino.
O casamento e a vida familiar
Durante sua permanência na Ásia Menor, Aristóteles se casou com Pítias, ligada à família ou ao círculo de Hérmias.
O casal teve uma filha que também recebeu o nome de Pítias. Depois da morte da esposa, Aristóteles viveu com Herpílis, com quem teve um filho chamado Nicômaco.
O nome Nicômaco era o mesmo de seu pai. A obra conhecida como Ética a Nicômaco foi tradicionalmente relacionada ao filho ou ao pai do filósofo, embora a origem exata do título permaneça discutida.
O testamento atribuído a Aristóteles demonstra preocupação com familiares, dependentes e pessoas próximas, revelando uma dimensão pessoal que normalmente fica escondida por trás de sua imagem de pensador sistemático.
As pesquisas em Lesbos
Aristóteles também viveu na ilha de Lesbos, onde realizou estudos sobre animais e ambientes naturais, provavelmente em colaboração com Teofrasto.
A região permitia a observação de peixes, moluscos, crustáceos e diferentes formas de vida marinha.
Seus escritos biológicos mostram atenção a aspectos como:
- partes dos animais;
- formas de reprodução;
- hábitos alimentares;
- locomoção;
- habitat;
- semelhanças e diferenças entre espécies.
Muitas conclusões de Aristóteles foram posteriormente corrigidas, mas sua tentativa de reunir observações e classificar seres vivos representou uma etapa importante na história do estudo científico da vida.
Aristóteles foi professor de Alexandre, o Grande?
Por volta de 343 ou 342 a.C., Aristóteles foi chamado à Macedônia por Filipe II para participar da educação do jovem Alexandre, que mais tarde ficaria conhecido como Alexandre, o Grande.
As fontes antigas associam o filósofo à formação do príncipe, mas não permitem reconstruir com precisão todo o conteúdo das aulas ou medir exatamente sua influência sobre as decisões posteriores do governante.
É provável que a educação envolvesse literatura, ética, política, retórica e cultura grega.
Deve-se evitar a afirmação de que todas as conquistas ou posições políticas de Alexandre tenham sido resultado direto dos ensinamentos de Aristóteles. A relação entre mestre e aluno foi historicamente importante, mas também complexa.
O retorno a Atenas e a criação do Liceu
Aristóteles voltou a Atenas por volta de 335 a.C.. Nesse período, fundou sua própria escola, conhecida como Liceu.
A instituição reunia atividades de ensino, discussão, pesquisa e organização de informações.
Aristóteles e seus colaboradores investigavam diferentes áreas do saber. Há relatos de coleta de dados sobre constituições políticas, competições esportivas, costumes, animais, plantas e acontecimentos históricos.
O Liceu representava uma proposta de conhecimento coletivo. O filósofo não trabalhava completamente isolado: havia estudantes, pesquisadores e continuadores envolvidos nas investigações.
Fundação aproximada: 335 a.C.
Local: Atenas
Atividades: ensino, debate, pesquisa e organização do conhecimento
Por que a escola era chamada de peripatética?
A tradição filosófica ligada a Aristóteles ficou conhecida como peripatética.
O termo pode ser relacionado ao perípatos, uma área de passeio ou circulação associada ao Liceu. Com o tempo, difundiu-se a imagem de Aristóteles ensinando enquanto caminhava.
É possível que essa imagem tenha sido simplificada pela tradição posterior. O mais seguro é compreender “peripatético” como o nome associado à escola aristotélica e a seus seguidores.
Entre os discípulos mais importantes estava Teofrasto, que sucedeu Aristóteles na direção do Liceu e se destacou especialmente pelos estudos sobre plantas.
Como Aristóteles investigava o conhecimento?
Aristóteles procurava compreender não apenas que algo acontece, mas por que acontece.
Para isso, analisava definições, princípios, causas, propriedades e relações entre os fenômenos.
Sua investigação combinava:
- observação da experiência;
- comparação entre casos;
- análise de opiniões anteriores;
- distinção entre sentidos diferentes de uma palavra;
- construção de argumentos;
- classificação dos objetos estudados.
Ele nem sempre realizava experimentos no sentido moderno. Ainda assim, seu interesse por evidências, descrição e organização sistemática tornou sua metodologia decisiva para a história do pensamento.
A contribuição de Aristóteles para a lógica
Aristóteles realizou uma das primeiras grandes sistematizações do raciocínio lógico.
Ele estudou formas de argumento nas quais determinadas proposições, chamadas premissas, conduzem a uma conclusão.
Um exemplo didático de silogismo é:
- Todo ser humano é mortal.
- Sócrates é ser humano.
- Logo, Sócrates é mortal.
O objetivo não era apenas verificar se as frases eram verdadeiras, mas compreender quando a conclusão decorre necessariamente da estrutura das premissas.
Seus estudos de lógica influenciaram a filosofia, a educação e a ciência durante muitos séculos.
As quatro causas
Para Aristóteles, compreender plenamente uma coisa exige investigar diferentes tipos de explicação.
A tradição resume essa proposta nas chamadas quatro causas:
- Causa material: aquilo de que algo é feito.
- Causa formal: a forma ou organização que o torna aquilo que é.
- Causa eficiente: aquilo que produz ou inicia a transformação.
- Causa final: o fim ou a finalidade para a qual algo se orienta.
Em uma estátua, por exemplo, o bronze pode ser a matéria; a figura representada, a forma; o escultor, a causa eficiente; e a finalidade artística ou comemorativa, a causa final.
A palavra “causa” possui aqui um sentido mais amplo do que no uso cotidiano. Ela significa uma maneira de explicar por que algo é como é.
Potência e ato
Aristóteles utilizou os conceitos de potência e ato para explicar mudanças e desenvolvimentos.
A potência corresponde a uma possibilidade real de transformação. O ato corresponde à realização dessa possibilidade.
Uma semente possui a potência de se desenvolver como planta, desde que encontre condições adequadas. A planta desenvolvida representa a atualização dessa capacidade.
Essa distinção permitia explicar como uma coisa pode mudar sem deixar de possuir continuidade com aquilo que era anteriormente.
A ética e a busca por uma vida boa
Na ética aristotélica, a questão principal não é apenas obedecer a regras isoladas. O filósofo procura compreender o que significa viver bem e desenvolver um bom caráter.
A finalidade mais elevada da vida humana é frequentemente relacionada ao termo grego eudaimonia.
A palavra pode ser traduzida como felicidade, realização ou florescimento humano. Não significa simplesmente sentir prazer ou permanecer alegre o tempo todo.
A vida realizada exige atividade racional, virtudes, boas escolhas, relações de amizade e determinadas condições externas.
Não é uma emoção passageira, mas uma vida humana realizada por meio da virtude.
Como adquirimos as virtudes?
Aristóteles distingue virtudes intelectuais e virtudes relacionadas ao caráter.
As virtudes de caráter não surgem apenas porque conhecemos uma definição. Elas são desenvolvidas por meio da prática e do hábito.
Tornamo-nos justos praticando atos justos, corajosos enfrentando adequadamente os perigos e moderados aprendendo a organizar os desejos.
Isso não significa repetir ações de maneira mecânica. O comportamento virtuoso exige:
- compreensão da situação;
- escolha consciente;
- finalidade adequada;
- formação estável do caráter;
- avaliação das circunstâncias.
A educação ética é, portanto, um processo gradual de formação pessoal.
O que é o justo meio?
Uma das ideias mais conhecidas de Aristóteles é a virtude como uma disposição situada entre dois extremos inadequados: o excesso e a falta.
A coragem, por exemplo, pode ser compreendida entre:
- covardia: falta diante do perigo;
- temeridade: excesso e exposição imprudente;
- coragem: enfrentamento racional e adequado.
O justo meio não é uma média matemática igual para todas as pessoas. Ele depende da situação, da finalidade e do julgamento prudente.
Às vezes, a ação correta pode parecer mais próxima de um extremo, porque as circunstâncias não são idênticas.
Amizade e convivência humana
Aristóteles dedicou uma parte importante da Ética a Nicômaco à amizade.
Ele distingue relações baseadas principalmente em:
- utilidade: cada pessoa obtém alguma vantagem;
- prazer: a convivência é agradável;
- virtude: os amigos desejam genuinamente o bem um do outro.
Relações de utilidade e prazer podem terminar quando a vantagem ou a satisfação desaparecem.
A amizade fundada no caráter é mais duradoura, embora também seja mais rara, porque exige tempo, conhecimento mútuo e convivência.
Para Aristóteles, ninguém escolheria possuir todos os outros bens sem ter amigos com quem compartilhar a vida.
Aristóteles escreveu a frase sobre o amor e a perfeição?
A frase frequentemente compartilhada nas redes sociais — “O amor é o sentimento dos seres imperfeitos...” — costuma ser atribuída a Aristóteles.
Entretanto, essa formulação não é facilmente localizada, com essas mesmas palavras, nas traduções acadêmicas mais conhecidas das obras aristotélicas.
A ideia pode lembrar discussões antigas sobre desejo, falta, amizade, finalidade e aperfeiçoamento, mas a redação moderna deve ser tratada com cautela.
Em um conteúdo educativo, a forma mais responsável é apresentá-la como frase atribuída a Aristóteles, a menos que seja encontrada uma referência precisa à obra, ao livro, ao capítulo e à tradução.
Uma frase repetida na internet não se torna automaticamente uma citação autêntica.
O ser humano como animal político
Na obra Política, Aristóteles afirma que o ser humano é, por natureza, um animal político.
A expressão não significa apenas participar de eleições ou pertencer a um partido.
Ela indica que a vida humana se realiza em comunidade, por meio da linguagem, das leis, das decisões coletivas e das discussões sobre justiça e bem comum.
A cidade existe não apenas para permitir a sobrevivência, mas para tornar possível uma vida considerada boa.
Algumas posições políticas de Aristóteles refletem limites e desigualdades do mundo antigo, incluindo concepções hoje inaceitáveis sobre escravidão, cidadania, mulheres e povos estrangeiros. Sua influência não exige aceitar sem crítica todas as suas conclusões.
A retórica e o poder da persuasão
Aristóteles estudou como os discursos conseguem persuadir diferentes públicos.
Na Retórica, a persuasão é analisada por meio de elementos tradicionalmente conhecidos como:
- Ethos: a imagem e a credibilidade de quem fala;
- Pathos: as emoções despertadas no público;
- Logos: os argumentos e raciocínios apresentados.
Esses elementos não funcionam necessariamente de maneira isolada. Um discurso pode combinar caráter, emoção e argumentação.
A obra continua relevante para estudos de comunicação, política, publicidade, direito e produção textual.
A Poética e o estudo da tragédia
Na Poética, Aristóteles examina formas de criação literária, com destaque para a tragédia.
Ele analisa elementos como:
- enredo;
- personagens;
- pensamento;
- linguagem;
- música;
- espetáculo.
O enredo ocupa uma posição central, porque organiza as ações e produz efeitos sobre o público.
Conceitos associados à reviravolta, ao reconhecimento, ao erro da personagem e à catarse atravessaram séculos de reflexão sobre literatura e teatro.
Uma parte da obra, possivelmente relacionada à comédia, não chegou até nós ou não foi preservada integralmente.
Os textos que chegaram até nós
Aristóteles teria produzido diálogos e numerosos tratados. Entretanto, apenas uma parte de sua produção foi preservada.
As obras sobreviventes possuem frequentemente uma escrita condensada, técnica e pouco semelhante a um texto literário destinado ao grande público.
Por isso, muitos estudiosos entendem que parte do material corresponde a notas de aula, tratados escolares, compilações ou textos ligados ao ensino dentro do Liceu.
Os diálogos mais elaborados que circularam na Antiguidade foram, em grande parte, perdidos ou preservados apenas em fragmentos.
Isso explica por que a leitura de Aristóteles pode ser difícil: encontramos repetições, passagens muito breves, mudanças de assunto e argumentos que pressupõem conhecimentos do contexto original.
Os desafios de sua trajetória
A vida de Aristóteles foi marcada por mudanças políticas e deslocamentos frequentes.
Entre os desafios de sua trajetória estavam:
- a perda dos pais durante a juventude;
- a mudança de Estagira para Atenas;
- a necessidade de construir uma posição própria depois de Platão;
- as tensões entre Atenas e a Macedônia;
- as constantes viagens entre diferentes cidades;
- a perda de parte significativa de seus escritos;
- a perseguição política nos últimos anos.
Seu desenvolvimento pessoal não aconteceu em uma trajetória linear. Ele foi estudante, pesquisador, viajante, professor de membros da elite, fundador de escola e estrangeiro em uma cidade politicamente instável.
Por que Aristóteles deixou Atenas pela segunda vez?
Alexandre, o Grande, morreu em 323 a.C.. Depois de sua morte, cresceu em Atenas a oposição à influência macedônica.
Aristóteles possuía vínculos conhecidos com a Macedônia e passou a enfrentar uma acusação de impiedade.
Em vez de permanecer para ser julgado, deixou Atenas e foi para Cálcis, na ilha de Eubeia, onde sua família possuía ligações.
A tradição atribui ao filósofo a intenção de impedir que Atenas pecasse duas vezes contra a filosofia, em referência à condenação de Sócrates. A autenticidade exata dessa frase, porém, não é plenamente segura.
Sua partida demonstra como o ambiente político podia interferir diretamente na vida intelectual das cidades antigas.
Como morreu Aristóteles?
Aristóteles morreu em 322 a.C., na cidade de Cálcis, aproximadamente um ano depois de deixar Atenas.
A causa exata de sua morte não pode ser estabelecida com segurança pelos padrões da medicina atual.
Fontes biográficas tradicionalmente mencionam uma doença relacionada ao sistema digestivo.
Ele tinha cerca de 62 anos. Após sua morte, Teofrasto assumiu a liderança da escola peripatética.
Ano: 322 a.C.
Local: Cálcis, na ilha de Eubeia
Idade aproximada: 62 anos
O que aconteceu com sua obra?
A transmissão dos textos aristotélicos foi longa e complexa. Manuscritos foram copiados, organizados, comentados e traduzidos em diferentes épocas.
Uma tradição antiga atribui a Andrônico de Rodes, no século I a.C., uma importante organização editorial do conjunto de obras aristotélicas.
Durante a Antiguidade tardia e a Idade Média, comentaristas gregos, estudiosos de língua siríaca, filósofos do mundo islâmico e autores cristãos contribuíram para preservar e reinterpretar esses textos.
Pensadores como Avicena, Averróis, Alberto Magno e Tomás de Aquino participaram de diferentes momentos da recepção do aristotelismo.
A obra que hoje chamamos de “Aristóteles” é também resultado dessa extensa história de transmissão.
O legado de Aristóteles
Durante muitos séculos, Aristóteles foi chamado simplesmente de “o Filósofo”, tamanho era o reconhecimento de sua autoridade.
Sua influência pode ser observada em áreas como:
- filosofia escolástica;
- teologia medieval;
- lógica formal;
- teoria política;
- ética das virtudes;
- estudos literários;
- biologia e história natural;
- retórica e comunicação.
Algumas de suas teorias científicas foram superadas. Isso não elimina sua importância histórica.
Seu legado está também no esforço de investigar sistematicamente as coisas, comparar explicações e reconhecer que diferentes áreas exigem métodos adequados a seus objetos.
Linha do tempo de Aristóteles
- 384 a.C.: nasce em Estagira.
- Por volta de 367 a.C.: vai para Atenas e ingressa na Academia de Platão.
- 348/347 a.C.: morre Platão; Aristóteles deixa Atenas.
- Década de 340 a.C.: vive em Assos e em Lesbos, realizando atividades de ensino e pesquisa.
- Por volta de 343/342 a.C.: participa da educação do jovem Alexandre na Macedônia.
- Por volta de 335 a.C.: retorna a Atenas e funda o Liceu.
- 323 a.C.: após a morte de Alexandre, deixa Atenas e segue para Cálcis.
- 322 a.C.: morre em Cálcis, com cerca de 62 anos.
Bibliografia das principais obras atribuídas a Aristóteles
As obras abaixo não receberam “datas de publicação” no sentido moderno. Muitas resultaram de processos de ensino, compilação e transmissão. Além disso, a autoria de alguns textos tradicionalmente incluídos no corpus aristotélico é discutida pelos especialistas.
Lógica — conjunto tradicionalmente chamado de Organon
- Categorias — estudo dos modos de predicação e das categorias do ser.
- Da interpretação — proposições, afirmação, negação e linguagem.
- Analíticos anteriores — teoria do silogismo.
- Analíticos posteriores — demonstração e conhecimento científico.
- Tópicos — argumentação dialética.
- Refutações sofísticas — análise de falácias e argumentos enganosos.
Filosofia da natureza
- Física — movimento, mudança, tempo, lugar e natureza.
- Do céu — estrutura do cosmos e corpos celestes.
- Da geração e da corrupção — transformação dos corpos naturais.
- Meteorológicos — fenômenos atmosféricos, terrestres e aquáticos.
Biologia e estudo dos seres vivos
- História dos animais — observações e classificação de animais.
- Das partes dos animais — relação entre estruturas e funções.
- Do movimento dos animais — princípios da locomoção.
- Da marcha dos animais — formas de deslocamento corporal.
- Da geração dos animais — reprodução e desenvolvimento.
Psicologia e processos vitais
- Da alma — princípios da vida, percepção, intelecto e movimento.
- Da sensação e do sensível — percepção pelos sentidos.
- Da memória e da reminiscência — memória e recordação.
- Do sono e da vigília — estados de sono e despertar.
- Dos sonhos — natureza das experiências oníricas.
- Da adivinhação pelo sono — exame de alegações sobre sonhos proféticos.
- Da longevidade e brevidade da vida — duração da vida nos seres vivos.
- Da juventude e da velhice, da vida e da morte — processos vitais.
- Da respiração — respiração e conservação da vida.
Metafísica e primeiros princípios
- Metafísica — investigação do ser enquanto ser, da substância, das causas e dos primeiros princípios.
Ética
- Ética a Nicômaco — virtude, felicidade, amizade e vida boa.
- Ética a Eudemo — investigação ética relacionada à realização humana.
- Grande Ética — obra tradicionalmente associada ao corpus, mas com autoria discutida.
Política e constituições
- Política — cidade, cidadania, constituições, educação e formas de governo.
- Constituição dos Atenienses — história e organização das instituições políticas de Atenas.
Artes da linguagem
- Retórica — meios de persuasão, discursos, argumentos, caráter e emoções.
- Poética — poesia, imitação, tragédia, enredo, personagens e efeitos da arte.
Obras de autoria discutida ou tradicionalmente relacionadas ao corpus
- Problemas — coleção de questões sobre natureza, medicina e comportamento.
- Economia — administração doméstica e patrimonial; autoria discutida.
- Do mundo — tratado cosmológico provavelmente posterior.
- Das cores — investigação atribuída à escola aristotélica.
- Da audição — texto relacionado ao som, de autoria incerta.
- Fisiognomonia — associação entre aparência corporal e caráter; autoria discutida.
- Mecânica — problemas mecânicos associados à tradição peripatética.
Aristóteles teria escrito também diálogos e outras obras destinadas a uma circulação mais ampla. Grande parte desse material desapareceu, restando títulos, fragmentos e citações preservados por autores posteriores.
Referências bibliográficas e fontes consultadas
As informações deste artigo foram organizadas a partir de enciclopédias acadêmicas, catálogos de textos clássicos e estudos dedicados à vida, à filosofia e à transmissão das obras aristotélicas.
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- FIESER, James; DOWDEN, Bradley (eds.). Aristotle. Internet Encyclopedia of Philosophy. Disponível em: Internet Encyclopedia of Philosophy .
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- BARNES, Jonathan (ed.). The Complete Works of Aristotle: The Revised Oxford Translation. 2 v. Princeton: Princeton University Press, 1984.
- LEAR, Jonathan. Aristotle: The Desire to Understand. Cambridge: Cambridge University Press, 1988.
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- JAEGER, Werner. Aristotle: Fundamentals of the History of His Development. Oxford: Oxford University Press, 1948.
- ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Consultar edição acompanhada de tradução, introdução e notas acadêmicas.
- ARISTÓTELES. Política. Consultar edição crítica ou tradução acadêmica anotada.
- ARISTÓTELES. Poética. Consultar edição com apresentação do contexto grego e explicação dos conceitos.
- ARISTÓTELES. Metafísica. Consultar edição dividida segundo a numeração tradicional de Bekker.
Em trabalhos acadêmicos, é importante informar a tradução e a edição efetivamente utilizadas. As obras de Aristóteles são normalmente citadas pela numeração de Bekker, sistema que permite localizar uma passagem em diferentes edições e idiomas.
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