Quem foi Machado de Assis? Biografia completa do autor

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Machado de Assis foi um dos escritores mais importantes da literatura brasileira. Nascido no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, superou uma infância de poucos recursos, a ausência de uma formação escolar regular e as barreiras sociais de uma sociedade escravista para construir uma carreira como jornalista, poeta, contista, romancista, dramaturgo, crítico literário e funcionário público.

Sua trajetória não foi marcada por um sucesso repentino. Machado começou em funções modestas ligadas à tipografia e à imprensa, publicou poemas e críticas em periódicos, desenvolveu-se como escritor ao longo de décadas e alcançou a maturidade literária com obras como Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

Nome completo

Joaquim Maria Machado de Assis

Quem foi Machado de Assis?

Joaquim Maria Machado de Assis foi romancista, contista, cronista, poeta, dramaturgo, tradutor, crítico literário e jornalista. Também desenvolveu uma longa carreira no serviço público e participou da fundação da Academia Brasileira de Letras.

Sua obra se destaca pela análise profunda do comportamento humano. Em vez de apresentar personagens inteiramente bons ou maus, Machado explorou contradições, vaidades, interesses, ciúmes, ressentimentos, ambições e mecanismos de autoengano.

Com ironia e inteligência, examinou a vida política, os costumes familiares, as relações amorosas, a escravidão, as diferenças sociais e o comportamento das elites brasileiras do século XIX.

Seu reconhecimento não se limita ao Brasil. Machado é estudado internacionalmente e ocupa posição central na literatura de língua portuguesa.

Nascimento e origem familiar

Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil.

Era filho de Francisco José de Assis, trabalhador que exercia atividades como pintor e dourador, e de Maria Leopoldina Machado de Assis, de origem açoriana.

A família vivia na região do Morro do Livramento, área próxima ao centro do Rio de Janeiro. Machado nasceu em um ambiente social muito distante daquele ocupado pelas famílias mais ricas e influentes da época.

Sua origem humilde e afrodescendente precisa ser compreendida dentro de uma sociedade marcada pela escravidão, pelas desigualdades econômicas e pelo preconceito racial. A escravidão somente seria oficialmente abolida em 1888, quando o escritor já tinha quase cinquenta anos.

Dados essenciais

Nascimento: 21 de junho de 1839
Local: Rio de Janeiro
Região da infância: Morro do Livramento

Uma infância com poucas informações documentadas

Não existem registros abundantes sobre os primeiros anos de Machado de Assis. Seus biógrafos precisam reconstruir parte dessa fase a partir de documentos, publicações antigas e depoimentos posteriores.

Sabe-se que perdeu a mãe ainda jovem. A morte materna representou uma das primeiras experiências de perda de sua vida. Posteriormente, seu pai se casou novamente, e Machado conviveu com sua madrasta, Maria Inês da Silva.

A infância do escritor não aconteceu em uma casa cercada por livros, professores particulares e estabilidade financeira. Seu desenvolvimento intelectual foi construído gradualmente por meio da leitura, do trabalho, da convivência com jornalistas, escritores e profissionais da imprensa.

Essa circunstância torna sua trajetória especialmente significativa: Machado não recebeu desde o início as oportunidades educacionais normalmente associadas aos homens de letras de seu tempo.

Qual foi a escolaridade de Machado de Assis?

Machado de Assis não realizou uma formação escolar regular nem frequentou uma universidade. As fontes biográficas indicam que ele estudou como pôde, aproveitando as oportunidades disponíveis.

Isso não significa que tenha permanecido sem formação intelectual. Ao contrário, tornou-se um leitor atento e desenvolveu conhecimentos de literatura, história, política, filosofia, teatro e línguas estrangeiras.

A imprensa foi uma de suas principais escolas. O contato com tipógrafos, revisores, jornalistas, dramaturgos e escritores permitiu que ele observasse a produção dos textos desde sua escrita até a impressão.

Seu aprendizado ocorreu de maneira contínua. Em vez de receber uma formação concentrada em alguns anos escolares, Machado se desenvolveu durante toda a vida por meio do trabalho, da leitura, da tradução e da participação no ambiente cultural do Rio de Janeiro.

Formação intelectual

Pouca educação formal, mas intensa formação pela leitura, pela imprensa e pelo trabalho.

Os primeiros textos publicados

A Academia Brasileira de Letras registra que Machado publicou, em 3 de outubro de 1854, o soneto “À Ilma. Sra. D. P. J. A.”, no Periódico dos Pobres. Ele ainda não havia completado dezesseis anos.

No ano seguinte, em 12 de janeiro de 1855, publicou o poema “Ela” na revista Marmota Fluminense. Essa publicação é frequentemente apresentada como o início mais visível de sua atividade literária.

A revista pertencia ao editor e tipógrafo Francisco de Paula Brito, responsável por acolher diversos escritores e intelectuais.

A participação de Machado nesses periódicos permitiu que seu nome começasse a circular no ambiente literário da capital.

O trabalho na Imprensa Nacional

Em 1856, Machado entrou na Imprensa Nacional como aprendiz de tipógrafo. Essa experiência foi decisiva para sua formação.

A tipografia exigia contato direto com letras, palavras, páginas e processos de revisão. Machado podia observar os textos em sua forma material e compreender como jornais, livros e documentos eram produzidos.

Na Imprensa Nacional, conheceu o escritor Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias. Almeida percebeu suas capacidades e tornou-se uma figura importante em seu início profissional.

O jovem aprendiz não permaneceu restrito à impressão. Aos poucos, passou a atuar também como revisor, colaborador e autor.

A entrada no jornalismo

No final da década de 1850, Machado começou a colaborar de forma mais intensa com jornais e revistas.

Trabalhou como revisor e colaborador do Correio Mercantil e, em 1860, foi convidado por Quintino Bocaiúva para integrar a redação do Diário do Rio de Janeiro.

Também escreveu para periódicos como:

  • O Espelho;
  • Semana Ilustrada;
  • Jornal das Famílias;
  • O Cruzeiro;
  • A Estação;
  • Revista Brasileira;
  • Gazeta de Notícias.

Nesses espaços, publicou poemas, críticas teatrais, contos, crônicas, traduções e romances em capítulos.

O trabalho jornalístico desenvolveu uma das características mais importantes de sua escrita: a capacidade de observar acontecimentos cotidianos e revelar os interesses escondidos por trás dos comportamentos sociais.

Machado de Assis e o teatro

Antes de se tornar amplamente conhecido pelos romances, Machado esteve bastante envolvido com o teatro.

Em 1862, passou a exercer a função de censor teatral. O cargo não era remunerado, mas lhe permitia assistir a espetáculos e acompanhar de perto a vida cultural da cidade.

Escreveu comédias e peças curtas, entre elas:

  • Desencantos;
  • O caminho da porta;
  • O protocolo;
  • Quase ministro;
  • Os deuses de casaca;
  • Tu, só tu, puro amor.

O teatro contribuiu para o desenvolvimento de seus diálogos e de sua percepção sobre a representação social. Muitas personagens machadianas parecem atuar diante das outras, escondendo sentimentos e intenções.

Os primeiros livros

Em 1861, foi publicado Queda que as mulheres têm para os tolos, tradução de uma obra francesa. Seu nome aparecia no volume como tradutor.

O primeiro livro de poesias de Machado, Crisálidas, foi lançado em 1864. A obra reúne textos ligados ao ambiente romântico de sua juventude.

Nos anos seguintes, publicou:

  • Falenas, em 1870;
  • Contos fluminenses, em 1870;
  • Ressurreição, em 1872;
  • Histórias da meia-noite, em 1873;
  • A mão e a luva, em 1874;
  • Americanas, em 1875;
  • Helena, em 1876;
  • Iaiá Garcia, em 1878.

Essas publicações mostram que sua carreira foi construída em diferentes gêneros. Machado não começou diretamente pelas obras que mais tarde seriam consideradas suas maiores realizações.

O casamento com Carolina Augusta Xavier de Novais

Em 12 de novembro de 1869, Machado de Assis se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais, portuguesa e irmã de Faustino Xavier de Novais, poeta e amigo do escritor.

O casamento durou aproximadamente trinta e cinco anos. O casal não teve filhos, mas construiu uma relação de grande proximidade intelectual e afetiva.

Carolina possuía boa formação literária e conhecia autores portugueses e ingleses. Sua presença esteve relacionada à rotina de leitura, escrita e revisão de Machado.

É inadequado reduzir Carolina apenas à função de “esposa do escritor”. Ela foi uma figura importante na vida doméstica e intelectual do autor, especialmente em uma época na qual a participação feminina na cultura frequentemente era apagada dos registros públicos.

Casamento

Machado e Carolina casaram-se em 1869 e permaneceram juntos até 1904.

A carreira como funcionário público

A literatura trouxe prestígio, mas o serviço público foi durante muitos anos a principal fonte de estabilidade financeira de Machado de Assis.

Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Na década seguinte, passou a trabalhar na Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Ao longo da carreira, recebeu promoções e assumiu funções de maior responsabilidade.

Em 1889, foi promovido a diretor da Diretoria do Comércio. Em 1892, tornou-se diretor-geral da Viação da Secretaria da Indústria, Viação e Obras Públicas.

A carreira administrativa demonstra uma dimensão importante de sua vida: Machado precisava conciliar o trabalho diário com a produção literária, a colaboração em jornais e a participação em instituições culturais.

A mudança provocada por Memórias póstumas de Brás Cubas

Em 1880, Memórias póstumas de Brás Cubas começou a ser publicado em capítulos na Revista Brasileira. A edição em livro saiu em 1881.

A obra representou uma transformação na carreira de Machado. O narrador é um homem morto que decide contar a própria vida sem preocupação em preservar sua reputação.

O romance rompe com uma narrativa tradicional e conversa diretamente com o leitor. Os capítulos são frequentemente curtos, e o narrador interrompe a história, comenta o próprio livro e tenta controlar a interpretação dos acontecimentos.

A partir dessa obra, Machado aprofundou sua ironia, sua crítica social e a investigação dos mecanismos psicológicos de suas personagens.

Marco literário

1881: publicação em livro de Memórias póstumas de Brás Cubas.

Machado de Assis e o Realismo brasileiro

Machado costuma ser apresentado como o principal nome do Realismo brasileiro. Essa associação é especialmente relacionada à publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas.

Entretanto, sua obra não se limita às regras de uma única escola literária. Machado utilizou elementos do romantismo, do realismo, da sátira, da tradição clássica e da literatura filosófica.

Em seus romances maduros, a realidade não aparece apenas como descrição de ambientes e costumes. Ela surge também por meio das dúvidas, lembranças, justificativas e distorções produzidas pelos narradores.

Muitas vezes, o leitor precisa desconfiar de quem conta a história. Essa característica tornou seus textos especialmente férteis para diferentes interpretações.

O grande contista

Machado de Assis também foi um dos maiores autores de contos da literatura brasileira. Em textos relativamente curtos, construiu conflitos morais, situações absurdas e personagens complexas.

Entre seus contos mais conhecidos estão:

  • O alienista;
  • A cartomante;
  • Missa do galo;
  • O espelho;
  • A causa secreta;
  • Uns braços;
  • Um homem célebre;
  • Teoria do medalhão;
  • Pai contra mãe;
  • O enfermeiro.

Os contos abordam temas como loucura, prestígio, casamento, desejo, crueldade, escravidão, aparência social e busca por reconhecimento.

Quincas Borba e a filosofia do Humanitismo

O romance Quincas Borba foi inicialmente publicado em folhetim e chegou ao formato de livro em 1891.

A narrativa acompanha Rubião, antigo professor que recebe uma herança e se muda para o Rio de Janeiro. Cercado por pessoas interessadas em sua fortuna, ele passa por um processo de exploração e desorganização mental.

A obra desenvolve de maneira satírica o Humanitismo, filosofia fictícia criada pela personagem Quincas Borba.

Por meio dessa doutrina, Machado ironiza sistemas que tentam justificar a competição, o egoísmo e o sofrimento como partes naturais de uma suposta ordem universal.

Dom Casmurro e o problema da memória

Dom Casmurro foi publicado em 1899 e se tornou um dos romances mais conhecidos da literatura brasileira.

O narrador Bento Santiago, chamado de Bentinho na juventude, tenta reconstruir sua história com Capitu.

Durante a narrativa, Bentinho apresenta suas suspeitas, seleciona lembranças e procura convencer o leitor de sua interpretação dos acontecimentos.

O valor do romance não está apenas na pergunta sobre uma possível traição. A obra trata da fragilidade da memória, do ciúme, da tentativa de controlar o passado e dos limites de um relato apresentado por uma única pessoa.

O leitor não recebe acesso direto à versão de Capitu. Tudo chega por meio da voz de Bentinho, o que torna a dúvida uma parte fundamental da construção literária.

Crônicas e observação da vida brasileira

Durante décadas, Machado publicou crônicas em jornais. Esses textos comentavam acontecimentos políticos, comportamentos sociais, transformações urbanas, notícias internacionais e episódios aparentemente comuns.

Entre 1881 e 1897, colaborou regularmente com a Gazeta de Notícias, período associado a algumas de suas séries de crônicas mais importantes.

A crônica permitia que Machado tratasse de acontecimentos imediatos sem abandonar a ironia e a análise do comportamento humano.

Ele observou grandes mudanças históricas, como:

  • a crise do Império;
  • a Abolição da Escravatura, em 1888;
  • a Proclamação da República, em 1889;
  • as reformas urbanas do Rio de Janeiro;
  • as transformações da imprensa e da vida cultural.

Machado de Assis e a escravidão

Machado viveu a maior parte de sua existência em uma sociedade escravista. Esse contexto aparece em romances, contos e crônicas, ainda que nem sempre por meio de discursos diretos.

Em textos como Pai contra mãe, a violência da escravidão surge integrada à organização econômica e social da cidade.

Em outras narrativas, relações de dependência, favor, propriedade e autoridade revelam como a sociedade brasileira estava estruturada.

Sua crítica costuma evitar explicações simples. Machado expõe os mecanismos pelos quais pessoas comuns participam de sistemas injustos, defendem os próprios interesses e transformam a crueldade em comportamento socialmente aceitável.

A fundação da Academia Brasileira de Letras

Na década de 1890, escritores e intelectuais ligados à Revista Brasileira começaram a organizar uma instituição dedicada à literatura e à língua portuguesa.

Machado participou das reuniões preparatórias e apoiou o projeto. Em 28 de janeiro de 1897, foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.

Tornou-se fundador da Cadeira nº 23, escolhendo José de Alencar como patrono.

Machado permaneceu na presidência por mais de dez anos, até sua morte. Sua presença foi tão importante que a Academia passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.

Academia Brasileira de Letras

Fundada em 1897
Primeiro presidente: Machado de Assis
Cadeira: nº 23

Os desafios enfrentados pelo escritor

A trajetória de Machado de Assis não deve ser apresentada como uma história simples de superação individual. Seu desenvolvimento ocorreu dentro de condições sociais bastante desfavoráveis.

Entre os principais desafios estavam:

  • a origem econômica humilde;
  • a perda precoce da mãe;
  • a falta de acesso a cursos regulares;
  • as barreiras raciais de uma sociedade escravista;
  • a necessidade de trabalhar desde jovem;
  • a conciliação entre emprego público e produção literária;
  • problemas de saúde ao longo da vida;
  • a perda de Carolina nos últimos anos.

Sua ascensão não eliminou as contradições de seu tempo. Mesmo depois de reconhecido, viveu em uma sociedade profundamente desigual e marcada pela exclusão.

A importância de sua trajetória está não apenas no ponto ao qual chegou, mas na maneira como transformou sua observação desse mundo em literatura.

Por que Machado escrevia com tanta ironia?

A ironia machadiana permite que uma frase pareça afirmar uma coisa enquanto conduz o leitor a perceber outra.

Muitas personagens apresentam justificativas elegantes para atitudes egoístas. O narrador pode elogiá-las aparentemente, mas a organização do texto revela seus interesses e contradições.

Esse procedimento evita que a narrativa funcione como uma lição moral direta. Em vez de dizer ao leitor exatamente o que pensar, Machado cria situações nas quais o próprio leitor precisa perceber o problema.

Sua ironia também questiona a autoridade de narradores, instituições, teorias científicas, discursos políticos e convenções sociais.

A casa do Cosme Velho

Em 1884, Machado e Carolina passaram a morar na região do Cosme Velho, no Rio de Janeiro.

O escritor viveu nessa região até o final da vida. Por essa associação, ficou conhecido posteriormente como Bruxo do Cosme Velho.

O apelido não indica que Machado praticasse atividades relacionadas à magia. Ele expressa a admiração por sua capacidade de transformar situações comuns em narrativas complexas e revelar dimensões escondidas do comportamento humano.

A morte de Carolina

Em 20 de outubro de 1904, Carolina Augusta Xavier de Novais morreu. O casal estava próximo de completar trinta e cinco anos de casamento.

A perda afetou profundamente Machado. Nos anos seguintes, amigos e conhecidos perceberam mudanças em sua rotina e em seu estado emocional.

Em 1906, publicou em Relíquias de casa velha o soneto A Carolina, dedicado à esposa.

O poema recorda a vida compartilhada e expressa a solidão causada pela ausência da companheira.

Últimos anos

Carolina morreu em 1904.
O soneto A Carolina foi publicado em 1906.

Os últimos romances

No mesmo ano da morte de Carolina, Machado publicou Esaú e Jacó, romance construído em torno dos irmãos gêmeos Pedro e Paulo.

Os dois possuem posições políticas e temperamentos diferentes, mas suas disputas também revelam semelhanças. O romance dialoga com a transição entre o Império e a República.

Em 1908, publicou Memorial de Aires, seu último romance.

Escrito em forma de diário, o livro apresenta observações do conselheiro Aires sobre relações familiares, envelhecimento, afeto, separação e passagem do tempo.

Seu tom é mais sereno do que o de algumas obras anteriores, mas a ironia e a ambiguidade permanecem presentes.

Como foram os últimos meses de Machado de Assis?

Em 1º de junho de 1908, Machado entrou em licença para tratamento de saúde.

Mesmo debilitado, continuava ligado à Academia Brasileira de Letras e mantinha contato com amigos e escritores.

Seu último romance havia sido publicado naquele mesmo ano. Assim, permaneceu intelectualmente ativo até próximo do final da vida.

Machado morreu no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908, aos 69 anos.

Conforme sua vontade, foi sepultado junto de Carolina no Cemitério de São João Batista.

Falecimento

29 de setembro de 1908
Idade: 69 anos
Cidade: Rio de Janeiro

O legado de Machado de Assis

Machado deixou uma produção que atravessa romances, contos, poemas, crônicas, peças teatrais, críticas, traduções e correspondências.

Sua obra permanece atual porque não depende apenas dos acontecimentos do século XIX. Ela investiga comportamentos que continuam reconhecíveis: a vaidade, a inveja, a ambição, o ciúme, a busca por prestígio, a necessidade de parecer respeitável e a capacidade humana de justificar os próprios interesses.

Sua escrita também modificou a relação entre narrador e leitor. Em muitos textos, o leitor é provocado, interrompido, questionado e até manipulado por quem conta a história.

Por isso, reler Machado frequentemente produz novas interpretações. O que parece simples em uma primeira leitura pode revelar outras camadas quando observamos a linguagem, os silêncios e as contradições do narrador.

Linha do tempo de Machado de Assis

  • 1839: nasce no Rio de Janeiro.
  • 1854: publica um de seus primeiros textos conhecidos.
  • 1855: publica o poema “Ela” na Marmota Fluminense.
  • 1856: entra como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional.
  • 1860: passa a integrar a redação do Diário do Rio de Janeiro.
  • 1864: publica Crisálidas.
  • 1867: inicia sua trajetória no serviço público.
  • 1869: casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.
  • 1872: publica seu primeiro romance, Ressurreição.
  • 1881: publica em livro Memórias póstumas de Brás Cubas.
  • 1882: publica Papéis avulsos.
  • 1884: muda-se para o Cosme Velho.
  • 1891: publica Quincas Borba.
  • 1897: torna-se o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.
  • 1899: publica Dom Casmurro.
  • 1904: publica Esaú e Jacó e perde a esposa Carolina.
  • 1906: publica Relíquias de casa velha.
  • 1908: publica Memorial de Aires e morre em 29 de setembro.

Bibliografia das principais publicações de Machado de Assis

A produção machadiana abrange diferentes gêneros. A relação abaixo organiza as principais obras publicadas em livro, incluindo alguns volumes lançados postumamente.

Romances

  • Ressurreição — 1872.
  • A mão e a luva — 1874.
  • Helena — 1876.
  • Iaiá Garcia — 1878.
  • Memórias póstumas de Brás Cubas — 1881.
  • Quincas Borba — 1891.
  • Dom Casmurro — 1899.
  • Esaú e Jacó — 1904.
  • Memorial de Aires — 1908.
  • Casa velha — publicado em livro postumamente, em 1944.

Livros de contos e textos em prosa

  • Contos fluminenses — 1870.
  • Histórias da meia-noite — 1873.
  • Papéis avulsos — 1882.
  • Histórias sem data — 1884.
  • Várias histórias — 1896.
  • Páginas recolhidas — 1899.
  • Relíquias de casa velha — 1906.
  • Outras relíquias — publicação póstuma, 1910.

Poesia

  • Crisálidas — 1864.
  • Falenas — 1870.
  • Americanas — 1875.
  • Poesias completas — 1901, reunindo seleções dos livros anteriores e a coletânea Ocidentais.

Teatro

  • Desencantos — 1861.
  • O caminho da porta — publicado no volume Teatro, 1863.
  • O protocolo — publicado no volume Teatro, 1863.
  • Quase ministro — 1864.
  • Os deuses de casaca — 1866.
  • Tu, só tu, puro amor — 1881.

Tradução

  • Queda que as mulheres têm para os tolos — tradução publicada em 1861.

Crítica, crônicas e correspondência publicadas em volume

  • Crítica — publicação póstuma, 1910.
  • Correspondência — publicação póstuma, 1932.
  • Crônicas — quatro volumes publicados em 1937.
  • Crítica literária — publicação em volume, 1937.

Além desses livros, Machado publicou centenas de crônicas, contos, poemas, críticas e textos jornalísticos dispersos em periódicos. Diversas edições posteriores reuniram materiais que originalmente haviam circulado somente em jornais e revistas.

Referências bibliográficas e fontes consultadas

As informações biográficas e bibliográficas deste artigo foram confrontadas com fontes institucionais e estudos dedicados à vida e à obra do escritor.

  • ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Machado de Assis: biografia. Disponível em: Academia Brasileira de Letras .
  • ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Machado de Assis: bibliografia. Disponível em: Academia Brasileira de Letras .
  • BRASIL. Ministério da Educação. Machado de Assis: vida e obra. Disponível em: Portal Machado de Assis .
  • FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Machado de Assis. Disponível em: Biblioteca Nacional Digital .
  • FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Machado de Assis nos periódicos brasileiros. Disponível em: Hemeroteca e Biblioteca Nacional Digital .
  • GUIMARÃES, Hélio de Seixas; LEBENSZTAYN, Ieda; SCHOEPS, Luciana Antonini. Primeiras edições de Machado de Assis na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. São Paulo: Universidade de São Paulo, Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, 2022.
  • MASSA, Jean-Michel. A juventude de Machado de Assis, 1839–1870: ensaio de biografia intelectual. São Paulo: Editora Unesp, 2009.
  • CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
  • DUARTE, Eduardo de Assis. Machado de Assis afrodescendente: escritos de caramujo. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas; Belo Horizonte: Crisálida, 2009.
  • GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

Para conhecer diretamente a produção do autor, também é possível consultar edições digitalizadas no Portal Domínio Público, na Biblioteca Nacional Digital e no projeto Machado de Assis — Vida e Obra.

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