Um Soneto, de Gregório de Matos

Um soneto começo em vosso gabo:
contemos esta regra por primeira,
já lá vão duas e esta é a terceira,
já este quartetinho está no cabo.


Na quinta torce agora a porca o rabo;
a sexta vai também desta maneira:
na sétima entro já com grã canseira,
e saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais
gabando-vos a vós, e eu fico um rei.

Nesta vida um soneto já ditei;
se desta agora escapo, nunca mais;
louvado seja Deus, que o acabei.


Gregório de Matos


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