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A Palavra em Diálogo: Diferentes Visões da Linguística e Literatura

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A  definição de palavra pode parecer simples, mas para os grandes pensadores da linguística e da literatura, ela é um conceito muito mais complexo e rico. Para o linguista suíço Ferdinand de Saussure , a palavra é, fundamentalmente, um signo linguístico, composto por duas partes inseparáveis: o significante e o significado. O significante é a imagem sonora da palavra (como a pronunciação de "árvore"), e o significado é o conceito que essa imagem evoca em nossa mente (a ideia de uma planta grande e lenhosa). Para Saussure, a relação entre esses dois é arbitrária, ou seja, não há uma razão natural para que o som "árvore" represente a ideia de árvore. Essa definição, que é a base do estruturalismo, enxerga a palavra como um elemento de um sistema. No entanto, para o pensador russo Mikhail Bakhtin , essa visão de Saussure era incompleta. Bakhtin argumenta que a palavra não é apenas um signo estático em um sistema. Ela é um organismo vivo, uma arena de luta e diálogo. P...

O Signo Ideológico: A Linguagem em Luta por Sentido

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Para Mikhail Bakhtin e seu colega Valentin Voloshinov , a linguagem não é um sistema neutro e objetivo de comunicação. Eles a concebem como um signo ideológico , um campo de batalha onde as ideias e os valores de diferentes grupos sociais se chocam e disputam. Em vez de ser apenas um meio para expressar uma realidade já pronta, a linguagem é o que Bakhtin chama de uma "arena de luta de classes" . Isso significa que cada palavra, cada frase, carrega consigo a marca de sua história e dos interesses de quem a usa. O sentido não é algo fixo; ele está em constante movimento, sendo moldado e remoldado pelas tensões sociais. Um exemplo simples ajuda a entender: a palavra “progresso” . Para um grupo, ela pode significar avanço científico e tecnológico, enquanto para outro, pode representar a destruição ambiental e a exploração. A mesma palavra, o mesmo signo, é preenchido com significados diferentes e até opostos. A linguagem, portanto, é um reflexo das contradições sociais e serve ...

A Enunciação em Bakhtin: A Linguagem como Ato Social

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Para o pensador russo Mikhail Bakhtin , a linguagem está longe de ser um sistema abstrato de regras ou um simples dicionário de palavras. Em sua visão, a linguagem só ganha vida no momento em que é usada por alguém para interagir com o mundo, em um processo que ele chama de enunciação . A enunciação não é apenas o ato de falar ou escrever; é o evento completo e concreto em que uma pessoa, em um determinado tempo e lugar, com uma intenção específica, produz um enunciado. Esse ato não pode ser entendido de forma isolada, pois sempre pressupõe um ouvinte, uma situação e a história das palavras que estão sendo usadas. Bakhtin critica a visão de que a enunciação seria apenas a manifestação da vontade individual de um falante. Para ele, toda enunciação é um ato social, um elo em uma vasta cadeia de comunicação. Quando falamos, não estamos simplesmente tirando palavras de nossa mente. Estamos, na verdade, respondendo a algo que foi dito antes ou antecipando a resposta de um outro. É por isso ...

A Crítica do Subjetivismo Individualista de Bakhtin

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No trabalho de Mikhail Bakhtin , a crítica ao que ele chama de subjetivismo individualista é um ponto fundamental. Esse conceito se refere a uma visão de linguagem e de ser humano que prevaleceu em muitas teorias filosóficas e linguísticas, especialmente as que valorizavam a consciência e a fala de um indivíduo como a única fonte de significado. Em essência, o subjetivismo individualista pressupõe que a linguagem é uma ferramenta neutra, que cada pessoa pega e usa para expressar seus pensamentos mais íntimos, como se esses pensamentos existissem em um vácuo, separados do mundo social e da interação com os outros. Para Bakhtin, essa visão é problemática e incompleta, pois ignora completamente o fato de que a linguagem é, por natureza, um fenômeno social. Ele argumenta que nossa fala nunca é puramente nossa. Pelo contrário, ela é sempre impregnada de vozes, palavras e discursos de outras pessoas com quem interagimos. O que dizemos é um eco, uma resposta, uma continuação ou até mesmo uma...

Delícia ou Delicia? Qual a Forma Correta

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É muito comum a gente se deparar com palavras parecidas na língua portuguesa e ficar na dúvida sobre qual usar, não é? O par delícia e delicia é um desses casos! A boa notícia é que, apesar de a grafia ser quase igual, a diferença entre elas é bem simples de entender. Delícia: O que te dá prazer! A palavra delícia (com acento agudo no "i") é um substantivo. Ela é usada para descrever algo que causa prazer, seja um sabor delicioso, uma sensação boa ou uma experiência agradável. É como se fosse a "coisa" em si que te deixa feliz. Use delícia quando: - Você quer falar de algo gostoso: "Esse bolo de chocolate é uma delícia !" - Você quer descrever uma situação ou sentimento: "O pôr do sol na praia é uma verdadeira delícia ." - Você quer falar de um prazer de forma geral: "A vida tem muitas delícias para serem aproveitadas." Perceba que, por ser um substantivo, ela sempre vai estar ligada a um artigo (a, o, as, os) ou a uma quantidade, como...

Semifinal, semi final ou semi-final? Qual a Forma Correta

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Você já se pegou na dúvida se a forma certa de escrever é semi-final, semi final ou semifinal? Se sim, pode relaxar, porque essa é uma confusão supercomum na língua portuguesa! A boa notícia é que, com uma dica simples, você nunca mais vai errar. A forma correta, segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico, é semifinal , tudo junto e sem hífen. Por que "semifinal" se escreve junto? A palavra "semifinal" é formada pela união do prefixo semi- com a palavra final. O prefixo semi- significa metade ou quase. Quando usado para formar palavras, ele geralmente se junta à palavra seguinte sem a necessidade de um hífen. A regra é clara: usamos o hífen com o prefixo semi- apenas em três situações: Quando a próxima palavra começar com h. Exemplo: semi-harmônico. Quando a próxima palavra começar com i. Exemplo: semi-inconsciente. Quando a próxima palavra começar com r. Exemplo: semi-reta. Quando a próxima palavra começar com s. Exemplo: semi-seco. Como a palavra final começa co...

A Escrita como Origem: o conceito de Arquirrastro em Essa estranha instituição chamada literatura

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O termo "Arquirrastro" (ou "arquiescritura") em Jacques Derrida pode soar um pouco grandioso, mas vou te explicar de um jeito simples ou pelo menos tentar, como se fosse sobre as "impressões digitais" do mundo! Pense que tudo no mundo, desde uma pedra até um pensamento, deixa uma espécie de marca ou sinal. Assim: quando você anda na areia, deixa uma pegada. Essa pegada é um rastro, uma marca de que você esteve ali. Quando você escreve uma carta, as palavras no papel são marcas que transmitem uma mensagem. Para Derrida, o "Arquirrastro" é a ideia mais fundamental e básica de que TUDO deixa uma marca ou um sinal. Não é só a escrita com letras que conhecemos, nem só uma pegada na areia. É um conceito muito mais amplo. É como se, antes mesmo de existir uma palavra, um desenho ou qualquer coisa que chamamos de "escrita" ou "comunicação", já existisse essa capacidade de as coisas deixarem uma impressão, um traço. Pense nas caracte...