Sujeito indeterminado e voz passiva sintética: qual a diferença?
Algumas frases da língua portuguesa parecem muito parecidas, mas funcionam de maneiras diferentes. Isso acontece bastante com construções formadas com a palavra se. Em alguns casos, o se indica voz passiva; em outros, ajuda a formar o sujeito indeterminado. Por isso, a pergunta da imagem exige atenção: qual frase apresenta sujeito indeterminado?
Qual a frase com sujeito indeterminado?
- A) Vende-se casa.
- B) Alugam-se salas.
- C) Precisa-se de funcionários.
- D) Os alunos chegaram cedo.
Qual é a resposta correta?
A alternativa correta é C) Precisa-se de funcionários.
Nessa frase, não sabemos exatamente quem precisa de funcionários. Pode ser uma empresa, uma loja, uma escola ou qualquer estabelecimento. O sujeito não aparece claramente e não pode ser identificado pelo contexto.
Além disso, o verbo precisar, nesse uso, exige a preposição de: quem precisa, precisa de alguma coisa ou de alguém.
Por isso, em “Precisa-se de funcionários”, temos um caso de sujeito indeterminado.
C) Precisa-se de funcionários.
O que é sujeito indeterminado?
O sujeito indeterminado ocorre quando a frase apresenta uma ação, mas não informa claramente quem a pratica.
Não é que o sujeito não exista. Ele existe, mas não está identificado na frase. O falante não sabe, não quer dizer ou não considera importante informar quem pratica a ação.
Veja alguns exemplos:
- Precisa-se de ajudantes.
- Vive-se bem naquela cidade.
- Fala-se muito sobre educação.
- Trabalha-se bastante naquela empresa.
Em todos esses casos, sabemos que alguém precisa, vive, fala ou trabalha, mas não sabemos exatamente quem é esse alguém.
Em linguagem simples: sujeito indeterminado é quando a frase não mostra quem pratica a ação.
Por que “precisa-se de funcionários” tem sujeito indeterminado?
A frase “Precisa-se de funcionários” tem sujeito indeterminado porque o verbo precisar é usado com preposição: precisar de.
Nesse caso, o se funciona como índice de indeterminação do sujeito. Isso significa que ele ajuda a indicar que o sujeito não está determinado.
Veja a estrutura:
Precisa-se de funcionários.
Precisa-se de quê? De funcionários.
Quem precisa? Não está determinado.
Por isso, a frase não deve ir para o plural: precisam-se de funcionários está inadequado nesse padrão. O correto é precisa-se de funcionários.
O papel do “se” nessa frase
A palavra se pode ter várias funções em português. Na frase “Precisa-se de funcionários”, ela funciona como índice de indeterminação do sujeito.
Isso acontece com frequência quando o verbo é:
- intransitivo: Vive-se bem aqui.
- transitivo indireto: Precisa-se de ajuda.
- de ligação: É-se feliz com pouco.
Nesses casos, o verbo geralmente fica na 3ª pessoa do singular.
Por isso, dizemos:
- Precisa-se de funcionários.
- Necessita-se de voluntários.
- Fala-se de política.
- Vive-se melhor com respeito.
Por que a alternativa A não é sujeito indeterminado?
A alternativa A diz: “Vende-se casa.”
Essa frase não é o melhor exemplo de sujeito indeterminado. Ela é uma construção de voz passiva sintética.
Podemos transformar a frase assim:
Vende-se casa.
Casa é vendida.
Perceba que casa recebe a ação de ser vendida. Por isso, casa funciona como sujeito paciente.
Nesse caso, o se não indetermina o sujeito; ele funciona como partícula apassivadora.
Por que a alternativa B não é sujeito indeterminado?
A alternativa B diz: “Alugam-se salas.”
Essa frase também está na voz passiva sintética. Podemos reescrever a frase assim:
Alugam-se salas.
Salas são alugadas.
O termo salas é o sujeito da oração. Como está no plural, o verbo também aparece no plural: alugam-se.
Esse é um detalhe muito importante: quando há voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente.
- Aluga-se sala.
- Alugam-se salas.
- Vende-se casa.
- Vendem-se casas.
Portanto, a alternativa B não apresenta sujeito indeterminado.
Por que a alternativa D não é sujeito indeterminado?
A alternativa D diz: “Os alunos chegaram cedo.”
Aqui o sujeito está claro: os alunos. Sabemos exatamente quem chegou cedo.
Podemos perguntar:
- Quem chegou cedo?
- Os alunos.
Como o sujeito aparece na frase, ele é determinado. Portanto, essa alternativa não responde à pergunta.
Sujeito indeterminado x voz passiva sintética
Essa é a parte mais importante da questão. Muitas pessoas confundem sujeito indeterminado com voz passiva sintética porque as duas construções podem apresentar o se.
A diferença está no tipo de verbo e no comportamento da frase.
Precisa-se de funcionários. → sujeito indeterminado
Alugam-se salas. → voz passiva sintética
Em “Precisa-se de funcionários”, o verbo precisar exige a preposição de. O termo de funcionários não é sujeito; é complemento.
Já em “Alugam-se salas”, salas é o sujeito paciente, porque podemos dizer salas são alugadas.
O teste da transformação ajuda muito
Um teste simples é tentar transformar a frase com ser + particípio. Se a transformação fizer sentido, provavelmente temos voz passiva sintética.
Veja:
- Vende-se casa. → Casa é vendida.
- Alugam-se salas. → Salas são alugadas.
Essas transformações fazem sentido. Portanto, temos voz passiva sintética.
Agora veja:
- Precisa-se de funcionários. → Funcionários são precisados?
A transformação não funciona naturalmente. Isso mostra que funcionários não é sujeito paciente. A expressão correta é precisar de funcionários, com preposição.
Por isso, em “Precisa-se de funcionários”, temos sujeito indeterminado.
A concordância também dá uma pista
Em frases com índice de indeterminação do sujeito, o verbo costuma ficar no singular.
- Precisa-se de funcionários.
- Necessita-se de professores.
- Fala-se de problemas sociais.
- Vive-se bem naquela cidade.
Já na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente:
- Vende-se casa.
- Vendem-se casas.
- Aluga-se sala.
- Alugam-se salas.
Esse detalhe ajuda muito em questões de múltipla escolha.
Por que “precisa-se de funcionários” não vai para o plural?
Muita gente pensa que, como funcionários está no plural, o verbo deveria ser precisam-se. Mas isso está errado nesse tipo de estrutura.
O termo de funcionários não é sujeito. Ele é complemento do verbo precisar.
Quem precisa, precisa de algo ou de alguém. Por isso, a expressão com de não assume o papel de sujeito.
Precisa-se de funcionários.
Não: Precisam-se de funcionários.
Essa é uma das pegadinhas mais frequentes em português.
Outras frases com sujeito indeterminado
Veja mais alguns exemplos parecidos com a alternativa correta:
- Necessita-se de cozinheiros.
- Precisa-se de vendedores.
- Fala-se de política todos os dias.
- Trata-se de assuntos importantes.
- Gosta-se de pessoas educadas.
- Vive-se bem naquela região.
Em todos esses casos, o sujeito não está determinado. A frase não informa exatamente quem necessita, precisa, fala, trata, gosta ou vive.
Outras frases com voz passiva sintética
Agora veja exemplos em que o se funciona como partícula apassivadora:
- Vende-se apartamento. → Apartamento é vendido.
- Vendem-se apartamentos. → Apartamentos são vendidos.
- Aluga-se sala. → Sala é alugada.
- Alugam-se salas. → Salas são alugadas.
- Consertam-se celulares. → Celulares são consertados.
- Publicaram-se os resultados. → Os resultados foram publicados.
Perceba que, nesses casos, é possível transformar a frase em voz passiva analítica. Isso ajuda a reconhecer que há sujeito paciente.
Analisando as alternativas
Vamos revisar cada opção da questão:
-
A) Vende-se casa.
Incorreta. É voz passiva sintética. A frase equivale a casa é vendida. -
B) Alugam-se salas.
Incorreta. Também é voz passiva sintética. A frase equivale a salas são alugadas. -
C) Precisa-se de funcionários.
Correta. O verbo precisar exige preposição de, e o sujeito não está determinado. -
D) Os alunos chegaram cedo.
Incorreta. O sujeito está claro: os alunos.
Portanto, a alternativa correta é C.
Resumo da questão
A pergunta era: qual a frase com sujeito indeterminado? A resposta correta é “Precisa-se de funcionários.”
Nessa frase, não sabemos quem precisa de funcionários. O verbo precisar exige a preposição de, e o se funciona como índice de indeterminação do sujeito.
C) Precisa-se de funcionários.
Dicas para não errar mais
Para não se confundir, observe se o verbo pede preposição e tente transformar a frase em voz passiva analítica.
Veja alguns padrões úteis:
- Se a frase puder virar é vendido, são alugadas, foi publicado, provavelmente é voz passiva sintética.
- Se o verbo vier com preposição, como precisar de, gostar de, tratar de, desconfie de sujeito indeterminado.
- Em precisa-se de funcionários, o verbo fica no singular, porque de funcionários não é sujeito.
- Em alugam-se salas, o verbo vai para o plural porque salas é sujeito paciente.
- Se o sujeito aparece claramente, como em os alunos chegaram cedo, ele não é indeterminado.
Uma frase simples para memorizar é: “Com precisar de, o se indetermina; com vender algo, o se apassiva.”
Veja mais alguns exemplos para fixar:
- Precisa-se de atendentes. — sujeito indeterminado.
- Necessita-se de voluntários. — sujeito indeterminado.
- Vende-se carro. — voz passiva sintética.
- Vendem-se carros. — voz passiva sintética.
- Aluga-se quarto. — voz passiva sintética.
- Alugam-se quartos. — voz passiva sintética.
Minha sugestão é sempre fazer duas perguntas. Primeiro: quem pratica a ação? Depois: a frase pode virar “algo é feito”? Se puder, provavelmente é voz passiva. Se não puder e o verbo vier com preposição, como em precisa-se de funcionários, o mais provável é sujeito indeterminado.
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