“Pena eu estar” equivale a “que eu esteja” ou “que eu estivesse”?

A língua portuguesa permite que uma mesma ideia seja expressa por meio de diferentes construções. Em alguns casos, uma oração reduzida, formada com um verbo no infinitivo, pode ser transformada em uma oração desenvolvida, introduzida pela conjunção que.

É justamente esse conhecimento que a questão a seguir procura avaliar.

Leia os versos

“Esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem.”

O segmento em destaque nos versos acima transcritos equivale a: que eu

A) estivera.
B) esteja.
C) estaria.
D) estivesse.
E) estava.

Qual é a resposta correta?

A alternativa correta é:

B) esteja.

Assim, o trecho:

“Pena eu estar só de passagem”

pode ser reescrito como:

“Pena que eu esteja só de passagem.”

Também podemos compreender o verso com a presença do verbo que está subentendido:

- “É uma pena eu estar só de passagem.”

Na forma desenvolvida, teríamos:

- “É uma pena que eu esteja só de passagem.”

Por que a resposta é “esteja”?

Na construção original, o verbo estar encontra-se no infinitivo:

eu estar

Essa estrutura é chamada de oração reduzida de infinitivo, pois não apresenta uma conjunção integrante e o verbo não está conjugado em um modo e tempo específicos.

Quando desenvolvemos essa oração, acrescentamos a conjunção que e conjugamos o verbo:

que eu esteja

O verbo esteja está no presente do subjuntivo.

O modo subjuntivo é empregado porque a expressão “é uma pena” manifesta uma avaliação subjetiva, um sentimento ou uma reação do falante diante de determinada situação.

Observe:

- É uma pena que você não possa participar.

- É lamentável que tantas pessoas estejam ausentes.

- É bom que todos conheçam as regras.

- É uma pena que eu esteja apenas de passagem.

Essas construções não apresentam os acontecimentos como simples informações objetivas. Elas revelam sentimentos, avaliações, desejos ou julgamentos, contextos nos quais o modo subjuntivo costuma ser empregado.

O que está subentendido no verso?

O verso apresenta uma omissão intencional:

- “pena eu estar só de passagem”

A forma mais completa seria:

“É uma pena eu estar só de passagem.”

A ausência da expressão “é uma” não prejudica a compreensão. Esse recurso é comum em poemas, músicas e textos literários, nos quais algumas palavras podem ser omitidas para preservar o ritmo, a sonoridade ou a expressividade.

Essa omissão recebe o nome de elipse. Mesmo sem aparecer explicitamente, o termo omitido pode ser facilmente identificado pelo contexto.

Portanto, o leitor compreende a construção como:

Esta vida é uma viagem. É uma pena eu estar só de passagem.

Oração reduzida e oração desenvolvida

A transformação realizada na questão envolve duas formas de apresentar a mesma informação.

Oração reduzida

É uma pena eu estar só de passagem.

A oração é reduzida porque:

- não é introduzida pela conjunção que;

- apresenta o verbo no infinitivo;

- mantém um sujeito próprio: eu.

Oração desenvolvida

É uma pena que eu esteja só de passagem.

A oração é desenvolvida porque:

- é introduzida pela conjunção integrante que;

- apresenta o verbo conjugado;

- o verbo está no presente do subjuntivo.

As duas construções possuem sentido equivalente.

Por que as demais alternativas estão erradas?

A) “Que eu estivera”

Estivera está no pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Essa forma indica um acontecimento anterior a outro fato também ocorrido no passado.

Exemplo:

- Quando ele chegou, eu já estivera naquele lugar.

Esse tempo verbal não corresponde ao sentido presente dos versos.

C) “Que eu estaria”

Estaria está no futuro do pretérito do indicativo. Geralmente indica uma hipótese, uma condição ou um fato futuro em relação a um momento passado.

Exemplo:

- Eu estaria presente se tivesse sido convidado.

Não há esse sentido de condição no trecho analisado.

D) “Que eu estivesse”

Estivesse está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Essa forma poderia ser empregada caso a oração principal também estivesse relacionada a uma situação passada ou hipotética:

- Seria uma pena que eu estivesse sozinho.

- Foi uma pena que eu estivesse ausente naquele dia.

No verso, porém, a ideia está situada no presente:

- É uma pena que eu esteja só de passagem.

Por isso, estivesse não é a resposta adequada nesse contexto.

E) “Que eu estava”

Estava pertence ao pretérito imperfeito do indicativo. O modo indicativo apresenta uma situação como real ou certa:

- Eu estava só de passagem.

Entretanto, depois da expressão avaliativa “é uma pena que”, a norma-padrão recomenda o emprego do subjuntivo:

É uma pena que eu esteja só de passagem.

Portanto, a resposta correta é a alternativa B) esteja.

A questão demonstra como o infinitivo pode ser substituído por uma forma verbal do subjuntivo sem provocar uma alteração significativa no sentido da frase.

Nenhum comentário:

Postar um comentário