A definição de palavra pode parecer simples, mas para os grandes pensadores da linguística e da literatura, ela é um conceito muito mais complexo e rico. Para o linguista suíço Ferdinand de Saussure , a palavra é, fundamentalmente, um signo linguístico, composto por duas partes inseparáveis: o significante e o significado. O significante é a imagem sonora da palavra (como a pronunciação de "árvore"), e o significado é o conceito que essa imagem evoca em nossa mente (a ideia de uma planta grande e lenhosa). Para Saussure, a relação entre esses dois é arbitrária, ou seja, não há uma razão natural para que o som "árvore" represente a ideia de árvore. Essa definição, que é a base do estruturalismo, enxerga a palavra como um elemento de um sistema. No entanto, para o pensador russo Mikhail Bakhtin , essa visão de Saussure era incompleta. Bakhtin argumenta que a palavra não é apenas um signo estático em um sistema. Ela é um organismo vivo, uma arena de luta e diálogo. P...
A concepção de linguagem a partir dos estudos do Círculo bakhtiniano tem sido objeto de discussões ou servido de auxílio para investigações em diferentes áreas do conhecimento. Entretanto, poucas áreas têm aprofundado esse conceito. A própria linguística, que tem como objeto de estudo a linguagem, pouco tem explorado tal concepção a partir desse viés. É nos estudos discursivos, aqueles que ultrapassam uma abordagem linguística estrita, e aí podemos incluir também os literários, que encontramos abordagens mais aprofundadas das colaborações bakhtinianas. A teoria dialógica do discurso tem-se mostrado rica no desenvolvimento de várias noções que se referem ao estudo da linguagem e essa orientação pode ser observada na dimensão com que Bakhtin se dedica ao funcionamento da língua, principalmente no romance. Embora seu objeto de estudo tenha sido sobretudo a linguagem, a abrangência dessa teoria ultrapassa qualquer noção estreita dos estudos da língua e configura-se como uma dimensão ...
Quem foi Millôr Fernandes? O gênio do humor brasileiro Se você gosta de rir e pensar ao mesmo tempo, precisa conhecer Millôr Fernandes. Ele foi um daqueles brasileiros que parecem ter vivido várias vidas em uma só: escritor, cartunista, jornalista, dramaturgo, tradutor e, acima de tudo, humorista genial. Um pouco da história Millôr nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e, desde cedo, já mostrava talento para o desenho e para a escrita. Ele começou sua carreira em revistas como O Cruzeiro , e nunca mais parou de provocar risadas e reflexões. Mas Millôr não era só piadista. Seu humor vinha sempre acompanhado de crítica social e política. Ele dizia coisas que ninguém tinha coragem de falar, e fazia isso de forma inteligente e bem-humorada. O Pasquim: resistência em forma de humor Nos anos 1970, durante a ditadura militar, Millôr foi um dos fundadores do jornal O Pasquim , ao lado de Jaguar, Ziraldo e outros grandes nomes. Era um jornal satírico que usava humor e ironia para criticar os ...
Comentários
Postar um comentário