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Mostrando postagens de setembro, 2025

A Palavra em Diálogo: Diferentes Visões da Linguística e Literatura

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A  definição de palavra pode parecer simples, mas para os grandes pensadores da linguística e da literatura, ela é um conceito muito mais complexo e rico. Para o linguista suíço Ferdinand de Saussure , a palavra é, fundamentalmente, um signo linguístico, composto por duas partes inseparáveis: o significante e o significado. O significante é a imagem sonora da palavra (como a pronunciação de "árvore"), e o significado é o conceito que essa imagem evoca em nossa mente (a ideia de uma planta grande e lenhosa). Para Saussure, a relação entre esses dois é arbitrária, ou seja, não há uma razão natural para que o som "árvore" represente a ideia de árvore. Essa definição, que é a base do estruturalismo, enxerga a palavra como um elemento de um sistema. No entanto, para o pensador russo Mikhail Bakhtin , essa visão de Saussure era incompleta. Bakhtin argumenta que a palavra não é apenas um signo estático em um sistema. Ela é um organismo vivo, uma arena de luta e diálogo. P...

O Signo Ideológico: A Linguagem em Luta por Sentido

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Para Mikhail Bakhtin e seu colega Valentin Voloshinov , a linguagem não é um sistema neutro e objetivo de comunicação. Eles a concebem como um signo ideológico , um campo de batalha onde as ideias e os valores de diferentes grupos sociais se chocam e disputam. Em vez de ser apenas um meio para expressar uma realidade já pronta, a linguagem é o que Bakhtin chama de uma "arena de luta de classes" . Isso significa que cada palavra, cada frase, carrega consigo a marca de sua história e dos interesses de quem a usa. O sentido não é algo fixo; ele está em constante movimento, sendo moldado e remoldado pelas tensões sociais. Um exemplo simples ajuda a entender: a palavra “progresso” . Para um grupo, ela pode significar avanço científico e tecnológico, enquanto para outro, pode representar a destruição ambiental e a exploração. A mesma palavra, o mesmo signo, é preenchido com significados diferentes e até opostos. A linguagem, portanto, é um reflexo das contradições sociais e serve ...

A Enunciação em Bakhtin: A Linguagem como Ato Social

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Para o pensador russo Mikhail Bakhtin , a linguagem está longe de ser um sistema abstrato de regras ou um simples dicionário de palavras. Em sua visão, a linguagem só ganha vida no momento em que é usada por alguém para interagir com o mundo, em um processo que ele chama de enunciação . A enunciação não é apenas o ato de falar ou escrever; é o evento completo e concreto em que uma pessoa, em um determinado tempo e lugar, com uma intenção específica, produz um enunciado. Esse ato não pode ser entendido de forma isolada, pois sempre pressupõe um ouvinte, uma situação e a história das palavras que estão sendo usadas. Bakhtin critica a visão de que a enunciação seria apenas a manifestação da vontade individual de um falante. Para ele, toda enunciação é um ato social, um elo em uma vasta cadeia de comunicação. Quando falamos, não estamos simplesmente tirando palavras de nossa mente. Estamos, na verdade, respondendo a algo que foi dito antes ou antecipando a resposta de um outro. É por isso ...

A Crítica do Subjetivismo Individualista de Bakhtin

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No trabalho de Mikhail Bakhtin , a crítica ao que ele chama de subjetivismo individualista é um ponto fundamental. Esse conceito se refere a uma visão de linguagem e de ser humano que prevaleceu em muitas teorias filosóficas e linguísticas, especialmente as que valorizavam a consciência e a fala de um indivíduo como a única fonte de significado. Em essência, o subjetivismo individualista pressupõe que a linguagem é uma ferramenta neutra, que cada pessoa pega e usa para expressar seus pensamentos mais íntimos, como se esses pensamentos existissem em um vácuo, separados do mundo social e da interação com os outros. Para Bakhtin, essa visão é problemática e incompleta, pois ignora completamente o fato de que a linguagem é, por natureza, um fenômeno social. Ele argumenta que nossa fala nunca é puramente nossa. Pelo contrário, ela é sempre impregnada de vozes, palavras e discursos de outras pessoas com quem interagimos. O que dizemos é um eco, uma resposta, uma continuação ou até mesmo uma...