A impressão que se tinha é que Toni Morrison gostaria de se instalar numa barricada e lutar, em tempo integral, pela causa dos negros (uma espécie de La Pasionaria Negra). Se tivesse ficado, teria sido uma excelente militante, uma guerreira de uma causa justa. Porque os negros foram e ainda são discriminados nos Estados Unidos e em vários países. O racismo é uma ferida que não cicatriza. William Faulkner, autor de “Luz em Agosto” e “Absalão, Absalão”, percebeu que a escravidão - o racismo é a escravidão comportamental - é a maldição dos Estados Unidos, talvez não apenas do Sul. Faulkner, diga-se, é branco. Por sinal, Toni Morrison, negra, estudou sua literatura a fundo e escreveu criticamente (o que não quer dizer negativamente) a respeito. Harold Bloom é admirador da prosa de Toni Morrison, mas implica com seu engajamento, que, na sua percepção, ganha cores fortes na nos seus romances. Não há dúvida de que a militante da causa negra está presente na literatura da escritora. Mas o qu...